quinta-feira, 30 de março de 2017

A entrevista de Bruno de Carvalho


Ontem Bruno de Carvalho deu uma entrevista à TVI. Dividida em duas partes, primeiro a um José Alberto Carvalho mal informado, uma prática recorrente nas entrevistas de futebol naquele canal, depois na TVI24 já com a presença de Dias Ferreira, José Pina e José Eduardo.

A entrevista de ontem não é daqueles formatos que eu mais aprecie, embora compreenda a sua necessidade, mas foi importante para esclarecer duas coisas.

Uma mais complexa de provar, mas veremos os próximos dias e que está relacionada com Bruno de Carvalho e a suspensão que lhe foi aplicada, a maior a um Presidente desde os tempos do Apito Dourado, altura, em que o rival, lutava pela transparência do futebol, e que ainda vai fazer correr muita tinta. Azul ou vermelha. Logo veremos.

Mas é na questão do futebol, aquilo que mais me interessou da entrevista do Presidente do Sporting. No dia a seguir à vitória nas eleições escrevi o seguinte num longo texto sobre os 4 anos que aí vinham, referindo, claramente, o título de campeão nacional no futebol.

Dizia eu, "Claro que no futebol não tivemos os resultados pretendidos. Não há dúvidas e Bruno de Carvalho sabe disso. Não pode passar outro mandato sem conquistar o título de campeão nacional em futebol masculino. Esse objectivo é eliminatório, ou seja, no próximo mandato se não o conseguir, obviamente terá de dar lugar a outro!".



Bruno de Carvalho confirmou aquilo que mais queria ouvir e que acho absolutamente fundamental para os próximos 4 anos do Sporting. No primeiro mandato, nunca, em momento algum, prometeu taxativamente o título. Usou diferentes termos, alguns até provocatórios, mas não prometeu aquilo que sabe não estar directamente relacionado e dependente do trabalho que efectua todos os dias na presidência do clube. Adicionando, claro, o estado em que o clube se encontrava.

Mas, neste segundo mandato que se inicia, avança para o desejo de conquistar mais que 1 título de campeão nacional e se não o conseguir "é porque não tenho essa mais-valia que achava que tinha" e, portanto, terá de ceder o lugar a outro. É impensável, diria, que nos dias que hoje correm, um Presidente do Sporting possa estar 8 anos sem conquistar um título no principal escalão do futebol masculino.

Por fim, vi muito gente preocupada com a questão da suspensão e se o presidente podia ou não dar a entrevista por, supostamente, já estar suspenso.







Não sou entendido em matérias legais, mas antes de acusar, seja do meu clube ou de outro, prefiro procurar nos regulamentos da Liga Portuguesa. No Regulamento Disciplinar, encontrei dois artigos, que estão nas imagens em cima, referente à suspensão de dirigentes e ao cumprimento da pena. Pelo que percebi, e tentei pedir a alguns amigos da área para perceber se era mesmo assim, este processo de Bruno Carvalho terá direito a recurso e enquanto decorre o período para recorrer, o castigo não produz efeitos.

Claro que depois há ainda a questão que nem todos os recursos suspendem a pena, mas depois há ainda a problemática que este castigo não te pode, diria, impedir de falar à imprensa.

Mas já sabemos como isto funciona, como é com Bruno de Carvalho, logo aparece a justiça e vontade popular dos rivais em querer impôr as suas regras!

domingo, 26 de março de 2017

Iordanov é, e sempre será, um símbolo do Sporting Clube de Portugal!



Só hoje cheguei a esta rubrica "Reencontros Espetaculares" da televisão Brasileira. Nos 15 minutos do programa que passou a 5 de Fevereiro de 2017, Marcelo Canellas reencontra Iordanov.
Sim, o nosso "mochilas"!!!

Em 1998, no mundial de França, Hugo Canellas falou com Iordanov que estava a representar a Selecção Búlgara e que meses antes lhe tinha sido diagnosticado a esclerose múltipla. Que, com bem sabemos, nunca largou o Iordanov por ser um doença sem cura. Este programa fala do reencontro quase 20 anos depois!

É impossível que as lágrimas não vos embaciem os olhos com as palavras de Iordanov, os depoimentos de André Cruz, César Prates, Leandro Machado e o filho de 10 anos de Iorda, do segundo casamento, com a camisola do Sporting.

Bem sei que nestes momentos ficámos sempre mais frágeis com estas demonstrações incríveis de solidariedade, respeito e amor por um jogador que de Leão ao peito foi um marco na história centenária do Sporting.

O Sporting estará certamente a par de tudo isto, um regresso a Alvalade, nem que fosse para falar às novas gerações era mais que merecido. 

Iordanov é, e sempre será, um símbolo do Sporting Clube de Portugal!

sábado, 25 de março de 2017

Bryan Ruiz é para ficar. Vendê-lo...é um erro!

Gualter Fatia/Getty Images

"Temos vontade em que o Bryan continue e também é a vontade dele."
Bruno de Carvalho

Estas declarações foram efectuadas pelo Presidente do Sporting quando chegou da Costa Rica depois de mais uma abertura de uma Escola Sporting.

De certa forma, para mim, foram tranquilizadoras. Espero, sinceramente, que sejam para manter, as declarações, até que se encontre um acordo possível e positivo para ambas as partes entre Sporting e Bryan Ruiz para o futuro do jogador.

O Sporting é o quarto clube pelo qual Bryan Ruiz fez mais jogos. Continuando como se espera para a época 17/18 e, previsivelmente, efectuando uma boa época, renovar por mais um ano,  o Sporting passará a ser o clube em que o Bryan Ruiz mais vestiu a camisola.

Não é o clube em que o Bryan mais golos fez, os 16 actuais ainda estão longe dos 42 que marcou no Twente, mas já é quase o clube em que mais assistências para golo executou: 22 e apenas 3 de passar para a frente.

Mas, curiosamente, é com Jorge Jesus que Bryan Ruiz mais jogos fez: 81. Superando em 3 aquele que era o treinador com quem mais tinha trabalhado: Michel Preud'homme. 

Desde que chegou ao Sporting, naturalmente, o seu valor de mercado subiu. É normal que haja, e se fale, em clubes interessados na sua possível contratação. Espero que o Sporting não embarque por esse caminho.

Pela Selecção da Costa Rica tem 95 jogos oficiais em 12 anos de convocatórias. É a estrela da companhia. 

E é a estrela não só pela sua qualidade em campo, como pela parte humana e aquilo que representa enquanto um símbolo do país.

Actualmente no Sporting é o jogador mais criativo. Não fez um época de alto nível, como tinha acontecido no ano anterior, mas como ele, quase todos os jogadores do Sporting estiveram muito abaixo do que era esperado. Carrega um fardo, ridículo, e que só podia acontecer no nosso clube. Os Sportinguistas, alguns, continuam a culpá-lo pelo título perdido da época passada. A cegueira e a procura de respostas a esse desaire, levou a isso!

Num momento em que lançamos tantos jovens no plantel, de quem se espera muito, é importante que esta integração seja feita com a ajuda de jogadores experientes, de qualidade e com capacidade para interagir com eles neste processo de aprendizagem. Neste particular falo de Ruiz, mas podia adicionar aqui o Rui Patrício, por exemplo.

É um jogador em que qualquer treinador confia, porque tem uma capacidade fantástica de adaptação as outras posições que não lhe são tão comuns. Veja-se, por exemplo, a posição número 8 que tem ocupado na ausência de Adrien porque, conhece os movimentos dessa posição e porque Jorge Jesus o colocou nesse lugar mostrando o lado de predisposição que o Costa Riquenho tem.

Bryan Ruiz é para ficar. Vendê-lo...é um erro!

quarta-feira, 22 de março de 2017

Gelson Martins na primeira grande entrevista


A primeira grande entrevista, a um diário desportivo, de Gelson é conhecida hoje no Record.
Vale a pena a leitura onde destaco alguns pontos interessantes:

- ter praticado atletismo e a importância para a sua resistência;
- alcançar o objectivo de marcar mais golos que na época passada, que foram 7;
- a informação para estar na pré-época com Jorge Jesus, ainda antes do Mundial do sub-20;
- os erros no jogo contra o Benfica e o próximo derby sem sentido de vingança;
- a relação com Jorge Jesus;
- o futebol em Cabo Verde;
- as referências Nani e Ronaldo;
- a oportunidade para Iuri Medeiros;
- o convite do Castilla (Real Madrid) e a nega para continuar no Sporting B.

domingo, 19 de março de 2017

Sporting 2-0 Nacional :: Dost e Ruiz na vitória!

foto: Gualter Fatia/Getty Images

O Wolfsburg está a dois pontos da descida, o melhor marcador é Mario Gomez com 9 golos, mas espero, sinceramente, que não desçam porque, provavelmente, proporcionaram-nos o melhor negócio da década e o Sporting ficará (sempre) muito grato pela compra de Bas Dost.

Normalmente, há a tendência para apenas se falar dos maus negócios que se efectuaram na preparação da época 16/17. É normal, e se tivermos em conta o planeamento da mesma e a forma como a equipa se tem apresentado, há uma relação directa com má performance desta temporada. No entanto, o negócio de Bas Dost foi fantástico.

Quando o Sporting vendeu Slimani, por 30 milhões, um jogador que nos tinha custado qualquer coisa como 300 mil euros, muitos se recordarão do caminho que o argelino teve de percorrer no clube. Apesar de adorado na última época, principalmente pelos golos que marcou e pela dedicação dentro de campo, quando chegou ao Sporting não foram poucos os que troçaram daqueles seus pés de "tijolo". Slimani evoluiu e ainda não tinha saído de Alvalade e já se falava em saudades.

Chegou Bas Dost com a missão impossível de igualar tal feito. Cheguei a ler que os 4 milhões de euros brutos que ia ganhar era um exorbitância, isto dito por alguém que, meses mais tarde, em Março, ia ter um papel importante nas eleições do clube. 

Bas Dost começou a marcar na jornada 4, a primeira em que participou, foi anunciado na jornada 3 quando vencemos o Porto por 2-1 em Alvalade, e apenas por 3 vezes consecutivas esteve sem marcar, logo no início do campeonato, porque de resto, são já 24 golos e uma liderança improvável da bota de ouro, troféu tradicionalmente disputado por Messi e Ronaldo.

É já, com 23 jogos, o 5º jogador com mais golos neste número de partidas atrás do incrível Peyroteo (47 golos), Jardel (33), João Lourenço (28) e Mário Wilson (25). (estatísticas via PlayMakerStats).

Não poderia começar a falar do jogo de ontem sem referir o nosso goleador. Diante do Nacional, uma da piores equipas da Liga Portuguesa, e relembro que o clube da Madeira está há 18 anos entre nós na primeira divisão, mas arrisca-se seriamente a descer, foram mais dois golos à ponta de lança.

Aliás, a primeira parte resume-se a duas coisas: os golos de Bas Dost, plenos de oportunidade, com um bem anulado senão eram três, e a precisão de passe e importância de Bryan Ruiz na construção do jogo.

Se de Bas Dost estamos conversados, passemos agora ao costa riquenho.

Na primeira parte teve 91% de precisão de passe. Foi, aliás, o único jogador a atingir tal performance com grande vantagem sobre todos os outros. Esteve nos dois cantos que originaram os golos do Sporting, e já agora, é curioso ver alguns sites de estatísticas e perceber que analisando os diversos itens do jogo, foi, provavelmente, o jogador com melhor nota em campo. 

Mas, ainda hoje, há quem não perceba isso, e irrita-me, desculpem-me que até aceito que o problema seja meu, que se continue a falar mal de Bryan Ruiz sem perceber a importância deste jogador. Deste tipo de jogador no nosso futebol, não percebendo que é o mais criativo que temos no plantel, porque, grande parte desses críticos continua a achar que o título foi perdido com aquele falhanço diante do Benfica. Como já referi aqui vária vezes, não fosse o jogo ser contra o velho rival e não havia tanta conversa. Aliás, basta pensar no jogo uns dias antes nessa época, contra o Vitória em Guimarães e analisar o falhanço de William Carvalho.

"Epá, isso é tudo muito bonito, mas o Semedo até teve 88% de precisão de passe na segunda parte". É verdade, ainda bem, mas a questão é que Bryan Ruiz além da precisão, da criatividade e capacidade para criar jogo ofensivo, fez 3 passes chamados decisivos, o que mais ninguém conseguiu. E se a vitória é, em grande parte, devida à finalização do Bas Dost, os três pontos também têm dedo, do pé, e muito, de Bryan Ruiz naquilo que a equipa foi capaz de jogar na primeira parte.

Já na segunda, foi um adormecimento geral. Vitória estava praticamente garantida, ninguém acreditava na reacção do Nacional, Rui Patrício foi um espectador que apenas foi chamado a intervir e bem aos 76', aliás, devia ter sido adicionado aos 43.167 que marcaram presença em Alvalade e Jorge Jesus, que já tinha deixado Matheus Pereira no 11 titular, tal como em Tondela, e ainda conseguiu lançar Podence e Palhinha em campo.

O Sporting continua estável no terceiro lugar, já o disse mas importa repetir para não me entenderem mal, não é a posição que é muito má, é o facto de estarmos a 10 pontos do primeiro, porque se estivéssemos em capacidade de lutar pelo título, o terceiro, nesta altura, até poderia não ser mau nem inviabilizar o principal objectivo da época. Mas, como sabemos, dificilmente sairemos desta posição e isso é frustrante para todos e a época ficará marcada com esse facto. Resta-nos, fazer um campeonato digno até ao final vencendo, se possível, todos os jogos que nos faltam!

quarta-feira, 15 de março de 2017

Sobre Jorge Jesus e a formação, fala quem sabe!


Um excelente texto do Pedro Bouças no Jornal Record que só hoje tive a oportunidade de ler.

"O caminho da formação: hora de soltar o talento 'made in' Alcochete

É verdade que Jorge Jesus poderia ter aproveitado de forma diferente Bernardo Silva ou até André Gomes aquando da sua passagem pelo rival Benfica. E até há um fundo de verdade na forma como demasiadas vezes desdenha os produtos mais jovens provenientes das academias de formação.

Porém, tal sempre em função de um critério que deveria ser inatacável, uma vez que se preocupa sempre em utilizar os melhores. E no Benfica sempre teve melhor que Bernardo ou André, no momento em que estes coabitaram o Seixal consigo. Sempre mais virado para o resultado imediato do que para o preparar o futuro. Exigências próprias dos clubes onde viveu nos últimos anos. A cobrança sempre a ser a do resultado, e não a do potenciar os talentos da formação.

De repente em Tondela, fruto de lesões e castigos, oportunidade para alguns miúdos da formação. E um resultado encantador. Não somente o final expresso no resultado, mas o do caminho, visível nos processos de jogo.

A entrada de Podence trouxe a imprevisibilidade e variabilidade que tanto carecia o ataque leonino. Um só elemento a revolucionar todo um modelo pela capacidade que muito poucos como ele têm de comer metros com bola no pé. De ultrapassar oposição, de pedir bola no pé mas também no espaço.

Há no Sporting um leque de jovens jogadores que poderão na temporada vindoura colocar de novo a equipa leonina no caminho do título.

Da qualidade e potencial inegável de Podence, ao extraordinário nível técnico de Matheus, passando pelas decisões, criatividade de Iuri Medeiros e pela competência de Francisco Geraldes a ligar todo o jogo ofensivo, não ignorando o talento de Gelson Martins, talvez seja o momento de se perceber que é hora de se apostar no talento 'made in' Alcochete.

Não por eventuais necessidades financeiras. Não por estranhos 'fetiches' com jogadores somente porque o critério seja o terem crescido a vestir o leão ao peito, mas porque efetivamente, são bons. São melhores. Pode finalmente Jorge Jesus 'casar' uma aposta na prata da casa, por competência e não somente por necessidade, e ainda assim apresentar uma forte candidatura ao título na próxima época.

Ajudará possibilitar que os miúdos continuem a ter tempo de jogo. Só competindo, errando e acertando na presente época, poderão estar ainda mais preparados para o que virá."

segunda-feira, 13 de março de 2017

Bilel Aouacheria e a exigência de Jorge Jesus


"Já tive a oportunidade treinar com a primeira equipa sob o comando de Jorge Jesus. É um nível muito elevado, somos muito incentivados e ele é exigente, mas sabemos que é para o nosso melhor. E quando você treina com jogadores campeões europeus como William, Adrien e Rui Patrício, sente-se que aprendemos quando saímos do treino."

Bilel, jogador do Sporting B e que no sábado marcou na vitória por 3-1 sobre o Académico de Viseu, em entrevista ao Foot Mercato que pode ser lida aqui.