domingo, 20 de agosto de 2017

Vitória SC 0-5 Sporting :: uma manita das antigas!


Piccini é uma merda, Bruno Fernandes é caro, as comissões devem ter sido altas, Mathieu é lento, Doumbia marca golos mas na Suíça, o Alan Ruiz não vale nada, Battaglia não sabe passar, para ficar com o André Pinto não vendíamos o Paulo Oliveira, Mattheus Oliveira é bom no Estoril, o Jorge Jesus recebe milhões e não percebe nada disto, resume-se em 4 linhas a pré-época do Sporting.

Calma aos que já estão a tirar print-screens para me mostrar em Maio quando a época acabar mal para nós. Alguns quase que desejam isso. Ninguém tem dúvidas que este ano é fundamental para, principalmente, o treinador do Sporting. Não éramos os piores do mundo, e não somos, certamente, uma equipa imbatível. No entanto, faz-me uma confusão do caraças que uma equipa que leva 3 jogos para o campeonato, com 8 golos marcados e 0 sofridos, não mereça, pelo menos dos seus adeptos, um voto de confiança. Se não somos nós a acreditar neles, quem será?

Vencemos com clareza o Vitória em sua casa. Num estádio complicado onde, provavelmente, assistimos aos melhores 45 minutos da era de Jorge Jesus no Sporting. Durante a semana vaticinava-se o caos para o clube. Sejamos claros, neste período que antecedeu o jogo de ontem e o de quarta feira na Roménia, e passo a explicar.

Todos nós, Sportinguistas com olhos na cara, ficamos absolutamente irritados com o que se passou em Alvalade diante do Steaua. Um fraco jogo de futebol da nossa equipa que nos retirava alguma percentagem de sucesso na passagem da eliminatória e consequente qualificação para a Liga dos Campeões. Um objectivo claro do Sporting e que não pode falhar.

Quero com isto dizer que não concordando com o discurso de Jorge Jesus em relação a algumas coisas que disse das competições europeias, por outro lado, continuo de convicção firme que temos o melhor treinador possível para estar à frente do Sporting. E não concordo com muitas das suas opções, mas também digo que 98% dos que o criticam, se amanhã tivessem que se apresentar na Academia do Sporting para orientar os treinos diários de preparação de um jogo, nem saberiam o que fazer e às tantas abandonavam o local com aquela vergonha em que criticar a profissão dos outros é tão fácil até ao momento em que nos vimos no seu lugar.

Jorge Jesus sabe que o campeonato este ano não pode ser desviado de Alvalade, sob pena de ver a sua continuidade no Sporting ser interrompida, como também não pode continuar a falar com desdém sobre as competições europeias. Uma boa parte da sua época, individual, enquanto objectivo do treinador, joga-se na quarta feira. A vitória de ontem foi um bom tónico!

Está claro, na minha opinião, que Battaglia, Adrien e Bruno Fernandes, suportados por Gelson e Acunã no apoio a Bas Dost, são a melhor solução para a equipa. Não está o William Carvalho porque a cabeça e o castigo o tiraram da equipa, a primeira para mim é uma boa razão para não entrar no jogo diante do Steaua na Roménia, e nesta altura, em equipa que ganha, eu não mexia. 

Mas dará um certo alento verificar que no banco temos Iuri, Podence, Alan Ruiz, André Pinto, Ristovski, Mattheus, Jonathan, Bruno César ou Doumbia. Não garante nada, mas há um equilíbrio para as diferentes posições que não tem sido possível encontrar nas equipas que foram construídas sobre a direcção de Bruno de Carvalho. Daí que Jorge Jesus acabe por ter obrigações acrescidas em todas as competições.

O Sporting em Guimarães fez uma primeira parte de sonho. Abriu o marcador à "bomba" com um grande golo de Bruno Fernandes, que repetiu o remate aos 7' a passar ao lado do poste, depois seguiram-se dois golos de Bas Dost com passes geniais de Coentrão e Battaglia.

Ao intervalo com 3-0 para o Sporting, muitos, senão todos os que estavam no estádio e em casa, lembraram-se do jogo do passado dia 2 de Outubro, com o mesmo resultado e que terminou com um empate. No entanto, havia duas diferenças para esse jogo. A forma como o Sporting estava a jogar, e que não mostrava ser possível tal recuperação do adversário, e o VAR. No jogo do ano passado com o VAR não tínhamos empatado.

Na segunda parte a equipa manteve o ritmo incrível de jogo, com muita intensidade, boas triangulações e não houve um único jogador, dos 14 que estiveram em campo, que jogasse mal. O jogo roçou a perfeição, foram 5 e podiam ter sido muitos mais os golos na baliza do Vitória. Acuña e Iuri falharam de baliza aberta e Gelson tem duas bolas isoladas que poderiam ter melhor destino.

Aos que estarão por esta altura a falar dos jogadores que o Vitória não pôde utilizar, é como vencer uma partida sem o melhor marcador e achar que se ele tivesse em campo, às tantas goleava. Não!

O que aconteceu ontem em Guimarães poderia ter acontecido na segunda jornada em Alvalade diante do outro Vitória. A diferença esteve no nível de sorte e na estupidez que finalmente foi ontem quebrada, dos remates fora de área. Aleluia!

Nota final para a deslocação a Guimarães. É sempre um estádio onde todos os cuidados são poucos. Haverá lá, como em qualquer outro ponto do país, adeptos que não merecem ir à bola apoiar o seu clube.

Os adeptos do Sporting responderam de uma forma incrível ao apelo de encher as bancadas que nos estavam destinadas. Ali, durante os 90 minutos, não se fala de outra coisa a não ser o apoio ao clube durante todo o jogo. Canta-se, canta-se e vibra-se com o golo. As críticas ficam para depois dos 90 minutos. Não posso deixar de destacar, também, o apoio dos adeptos do Vitória, quando estavam a levar 5 secos, cantaram em uníssono mostrando que em Guimarães há um clube que é sempre superior aos outros 3 grandes, e isso, será sempre de louvar. O campeonato nacional agradecia mais manifestações desta natureza.

Com esta vitória do Sporting, a equipa irá, certamente, mais confiante para a Roménia. Não há margem de erro. É preciso fazer reset, porque o jogo de ontem já lá vai, mas o modelo que foi utilizado no jogo contra o Vitória SC é para repetir. Intensidade máxima e foco na baliza adversária. Esperar, e para já há boas indicações, que a defesa continue a ser uma barreira aos adversários. Não há que inventar, mas só respeitando o adversário e tendo em mente que nada está ganho. Vestir a camisola com o Leão Rampante e suor. Muito suor dentro de campo!


sábado, 19 de agosto de 2017

Entrevista exclusiva com Fernando Fernandes :: antigo campeão mundial de Kickboxing do Sporting


Fernando Fernandes foi campeão nacional, ibérico, europeu, intercontinental e mundial numa vida desportiva dedicada ao Kickboxing. É um caso ímpar de sucesso desportivo. Prémio Stromp, um orgulho para qualquer atleta do nosso clube, concedeu-nos uma entrevista exclusiva na antecâmara da sua visita ao podcast Sporting160.

A primeira parte dessa entrevista em formato escrito foca os momentos enquanto atleta, na segunda feira à noite falaremos com ele sobre o que tem sido a sua vida enquanto treinador e como foi a experiência de escrever um livro.


O Kickboxing chegou à vida de Fernando Fernandes em 1983. De que forma? Já tinha praticado algum desporto antes?
Como já tive oportunidade de referir várias vezes, o filme Luta de Gigantes, protagonizado por Chuck Norris, teve um papel decisivo no meu início no KickBoxing. O filme era especial porque foi o primeiro que debateu o início da modalidade que tinha acabado de surgir. Para além deste impulso, comigo as coisas têm acontecido de forma bastante natural e não tenho dúvidas de que o espírito do desporto de combate já estava dentro de mim, e este filme apenas despoletou aquilo que eu andava à procura.
No meu início tenho de destacar o papel fundamental do Mestre Raúl Cerveira do Judo Clube de Portugal, em Outubro de 1980, pois foi com ele que comecei a treinar.

Entrou para o Sporting em 1992, como era a sua vida de Sportinguista antes disso? Com vivia o dia a dia do clube?
Era praticamente como hoje com a diferença que na altura estava do lado de fora e agora estou dentro de um sonho, o de estar dentro e a trabalhar no Sporting.

Desde pequeno seguia bastante o dia-a-dia do Sporting e o que fazia desde muito novo foi aumentando ao longo dos anos. Foi como amador que conquistou os seus primeiros títulos relevantes, campeão nacional de kickboxing em 90 e 91, campeão europeu e ibérico de full contact em 90. Que memórias guarda desses tempos?

Guardo o facto de ter sido o início e preparação de uma longa caminhada, mas guardo ainda mais que nessa fase era tudo muito baseado em ilusão e sonho, no querer fazer mais, ir mais além, era tudo uma descoberta, uma novidade e sobretudo ainda era tudo muito “puro”, ou seja, a forma como tudo era encarado ainda era com uma grande dose de juventude mas essencial para preparar as base da minha carreira.

Depois entrou no Sporting onde viria a conquistar os títulos mais importantes da sua carreira. Quer nos contar como foi a passagem para o Sporting?
A minha passagem para o Sporting deu-se num momento em que já tinha relevância no desporto, fruto dos títulos que já tinha conquistado, e a isto conciliou-se o facto de na altura o Sporting através do Carlos Rodrigues, que coordenava as modalidades de combate no clube ter decidido avançar com o KickBoxing e andar à procura da pessoa certa para criar e comandar a nova modalidade. 

Falaram comigo e chegámos à conclusão que tendo em conta os objetivos do clube e as minhas características, tudo junto se fundia na perfeição e que era a pessoa certa para fundar o KickBoxing.

Quais são os passos fundamentais para passar de Amador para Profissional, e que sacrifícios são necessários?
A passagem claro que é difícil mas considero que é sobretudo uma questão de aumentar o nível de treino e também o competitivo para um patamar muito mais duro. O nível passa a ter de ser superior em todos os aspetos, como a parte técnica e velocidade e potencia, que claro, passam a ser mais difíceis. 
Exemplo da mudança é que em amador utiliza-se capacete e em profissional não, parece algo simples mas reflete bem a grande diferença. 

Viveu um período incrível enquanto atleta profissional do Sporting nos anos de 92 a 94. Foi 3 vezes campeão nacional, 2 vezes campeão europeu, intercontinental e o célebre título de campeão mundial em 94. Foi o período mais áureo da sua carreira, sentia-se invencível? 
Nunca me senti invencível e acho que se o tivesse sentido não teria conquistado muitos dos títulos que conquistei, sentia sim com capacidade e preparação para enfrentar qualquer atleta, e que conseguia vencer qualquer um. Isto aliado ao trabalho e a minha vontade, foram os fatores decisivos para ir conquistando títulos. 

Quem foi a sua referência no KickBoxing? Tinha algum ídolo? 
A minha grande referência era/é o Jean-Yves Thériault. 

Em 1994 foi distinguido com o prémio mais importante que o Sporting pode atribuir, Stromp na categoria Especial Mundial. Um orgulho, certamente, o que nos pode contar sobre esse momento? 
Sempre foi para mim difícil descrever esse tipo de momentos mesmo sendo único como é o caso, mas a palavra que melhor descreve o que senti, é reconhecimento. No momento para além da muita alegria e orgulho, sentido muito reconhecimento. 

Fez 23 anos que o Fernando Fernandes foi campeão do mundo em Kickboxing. O encontro foi transmitido na SIC em directo, a Nave de Alvalade estava completamente cheia com 1.500 espectadores. Como foi esse dia, esse momento absolutamente histórico?
Sem dúvida um dos dias mais felizes da minha vida. Sinto que muito do que fiz durante a minha carreira foi para me preparar para aquele momento, um momento perfeito, foi em Portugal, foi em nossa casa, nave cheia com o apoio de quem melhor sabe apoiar, tudo. Todos os dias me recordo e me recordam aquele momento. 

Mais um momento que me deixa muito orgulhoso e feliz pois foi história e ficará para sempre na história.

Com este título, o Fernando Fernandes entrou para a restrita lista de campeões do mundo que foram atletas do Sporting, Carlos Lopes, Ramalhete, Rendeiro, Sobrinho, Xana, Livramento e Chambel. Como é ver o seu nome ao lado destes incríveis atletas?
É ser um atleta tão bom como eles mas numa modalidade diferente. É algo que me deixa muito orgulhoso porque está e ficará para sempre na história. 

A sua história enquanto treinador mistura-se com a de atleta, o Fernando é o grande responsável pela escola de formação do kickboxing do Sporting, onde em 2013 já tinham recebido mais de 10 mil atletas. Sente-se uma referência para tantos e tantos jovens que passaram pelas suas “mãos”? 
Nunca fui de falsas modéstias e respondo que sim, sobretudo porque felizmente o que fiz no passado e tenho feito não é esquecido e é constantemente reconhecido. Por exemplo, todos os dias há alguém que vem falar comigo por me conhecer ou também porque é pai de algum ex-atleta ou atleta ou também por já ter sido meu atleta. O que conquistei penso que me legitima para me poder sentir uma referência para os mais jovens, é algo normal, quando somos mais jovens e não só, temos as nossas referências e no desporto costumam ser aqueles que mais vencem, portanto acho natural eu sentir-me uma referência, mas é algo que gosto principalmente por me obrigar sempre a estar em alto nível em todas as áreas. 

Que conselhos pode dar a um jovem que quer seguir o KickBoxing? 
Os melhores conselhos que posso dar são o de escolher o treinador e a equipa que se identifiquem com ele, com os seus objetivos e com a sua forma de ser. Isto para mim é o principal, o resto, ambição, sacrifício, etc é algo basilar na vida.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Sporting 0-0 Steaua Bucareste :: apatia agoniante!

foto: Gualter Fatia

Um jogo fraco do Sporting, desastroso em certos momentos, em que o único ponto positivo que teve, visto a 90 minutos do final da eliminatória, foi o facto de não termos sofrido golos em casa. Claro que esta partida ficará marcada pela nossa falta de golos, até agora todas as equipas tinham marcado ao Steaua de Bucareste. Convém também referir que o Steaua na eliminatória anterior da Liga dos Campeões, tinha feito melhor resultado fora que em casa. 

Já agora, quando ontem Jorge Jesus referiu que o Steaua estava ao nível do Sporting, realmente não percebo o espanto de alguns(!) Sportinguistas. Andámos há anos a brincar com as nossas participações europeias, desde direcções, treinadores e até adeptos que muitos vezes preferiram negligenciar a Europa em função do Campeonato, o Steaua tem um coeficiente europeu de 35,370 e o Sporting de 36,866. Daí que não perceba o espanto. Na Europa dos rankings não somos muito melhores.

Claro que continuo a acreditar que temos melhor equipa que os romenos, mas é dentro de campo que vamos ter de o provar, e só conseguiremos qualificar-nos com golos, actualmente um dos nossos problemas, concretizar as oportunidades criadas.

Jorge Jesus acabou por surpreender com a equipa que apresentou. Coentrão que estava fora dos convocados foi titular, Podence voltou a entrar no 11 e Bruno Fernandes ficou de fora. Na minha perspectiva foi aí que perdemos a oportunidade de realizar um jogo melhor. 

Jonathan certamente aguentaria o jogo todo e com um nível exibicional idêntico ao de Coentrão, Adrien fora de forma poderia ter sido substituído facilmente por Bruno Fernandes e Podence, que vai no seu segundo seguido com um rendimento abaixo do esperado, devia ter dado lugar a Doumbia. Não sei o resultado teria sido diferente, o que no entanto percebemos, é que o Sporting voltou a efectuar um jogo muito próximo do que aconteceu na sexta feira passada, sem tanta intensidade, sem jogo interior, sem conseguir criar espaços no bloco defensivo do Steaua. Em tudo...praticamente pior. Ou seja, o plano A teria de ter sido substituído por um B para o jogo de ontem.

Salvou-se o remate ao poste de Acuña, a exibição de Gelson e o falhanço incrível de Enache, talvez assustado pela mancha de Rui Patrício.

Não sei se os jogadores do Sporting têm noção da importância de entrar na Liga dos Campeões. Do ponto de vista financeiro, diria que vital para continuar com o rumo traçado e o investimento que tem sido feito. 

Quanto a Jorge Jesus, e como é fácil de perceber pelos textos que ao longo dos tempos vou escrevendo, sou fã do seu trabalho, mas há sempre limites para tudo, e ele tinha dito que era importante crescer na Europa. Ora, para que esse crescimento aconteça é vital eliminar o Steuaua, caso contrário falhamos um dos grandes objectivos do ano, e isso não é compatível com o investimento na equipa e direcção técnica efectuado este ano. Uma carta decisiva é jogada na quarta feira na Roménia é bom que todos tenham noção disso ou...vamos acreditar na qualificação.

Uma coisa é certa, os mais de 46 mil que estiveram em Alvalade mereciam mais, muito mais!

sábado, 12 de agosto de 2017

Sporting 1-0 Vitória FC :: vitória sem espinhas!

foto: Getty Images Sport- Carlos Rodrigues


A vitória de ontem à noite do Sporting, justíssima e sem contestação possível, aconteceu no 10º jogo da Liga Portuguesa. Nas redes sociais, principalmente no twitter onde sou mais activo, muito mais que em qualquer outra, não tinha até ao momento falado uma única vez sobre a actuação do Vídeo Árbitro (VAR).

Sou a favor, sempre o fui ainda nem o Rui Santos sabia como poderiam ser usadas as tecnologias ao serviço do desporto, principalmente porque nos desportos americanos usam-no e num caso particular, a NHL e o hóquei em gelo, eu sigo com regularidade, e já era um fã do uso da tecnologia como factor importante para ajudar a verdade desportiva. 

Quero com isto dizer que após 900 minutos de Liga Portuguesa, 2 jogos do Sporting, 1 de Porto e Benfica, o VAR voltou a ser falado a torto e a direito por esse país fora. Aliás, é incrível como um jogo com 3 grandes penalidades claras a favor do Sporting, 1 na primeira parte e 2 na segunda, é transformado num episódio em que o Sporting é favorecido. Haja vergonha na cara de quem tenta fazer tal trabalho!

Jorge Jesus mexeu na equipa por duas razões. Uma à conta da lesão de William (embora no discurso  de JJ após o jogo fico com a sensação que há uma negociação forte para levarem o médio do Sporting), outra porque na terça feira há jogo para a Liga dos Campeões e é preciso rodar pela questão física.

Entraram Jonathan para o lugar Coentrão, Battaglia para o lugar de William e Podence arrancou atrás de Bas Dost. 

Este é para mim a grande alteração em relação à época passada, é que efectivamente, parece que temos jogadores no banco capazes de entrar e preencher a lacuna que o habitual titular normalmente deixa. 

O Sporting entrou muito forte na partida com uma intensidade de jogo contagiante suportado por mais de 40 mil adeptos que foram incansáveis no apoio à equipa. Nos primeiros 25 minutos de jogo, foram 6 remates e 75% de posse de bola, Patrício sozinho no nosso meio campo, praticamente só se jogou no terreno do Vitória FC. 

Algumas notas desse período e porquê de não termos conseguido chegar ao golo, mais que justo. Acuña mais preso nas movimentações em campo e com menos liberdade,  aqui dou mérito à equipa que veio de Setúbal, Podence a lembrar muito Dominguez com algumas perdas de bola pouco normais no seu jogo e ao nível dos remates o Sporting estava completamente perdido. Quase todos bloqueados e sem conseguir visar a baliza adversária.

Significou isso que o Sporting estava dominante mas sem oportunidades claras de jogo.

Foi até com naturalidade que a partir dos 30 minutos se percebeu que algo teria de ser feito na segunda parte para que não voltássemos a ter aqueles célebres jogos em Alvalade de sentido único e um nulo no final.

Veio o intervalo e Jorge Jesus não mexeu. Na minha modesta opinião deveria ter colocado logo Doumbia em campo no lugar de Podence.

Vejamos que atrás, defensivamente, o jogo estava completamente controlado, o Vitória FC não fez absolutamente nada em Alvalade, espanta-me até que José Couceiro tenha dito que "tinham possibilidades de fazer outro resultado". Uma equipa com 0 oportunidades e 0 remates enquadrados dificilmente marca golos. 

Coates e Matthieu a entenderem-se muito bem, Jonathan e Piccini a mostrar que é muito diferente quando jogamos com laterais. Já agora refira-se que na % de sucesso nos passes, Piccini chegou aos 91 tal como Coates e Matthieu aos 88.

Claro que o jogo começava perigosamente a encaminhar-se para o seu final, e não podíamos dar-nos ao luxo de perder 2 pontos. Entraram Doumbia, Bruno Fernandes e Bruno César.

Em campo com Doumbia e Bruno Fernandes o Sporting rematou 6 vezes, do total de 18, contando com o golo apontado por Bas Dost.

É a segunda partida que o Sporting termina o jogo em branco, uma tendência que esperamos que seja para continuar, onde atrás já jogaram 5 jogadores diferentes, sem contar com Patrício, e agora já temos mais um, Ristosvki, preparado para ajudar a completar este sexteto defensivo.

Palavra final para Battaglia que voltou a rubricar uma excelente partida, 90% de sucesso no passe, 4 tackles, o melhor do Sporting a par de Jonathan, 1 remate e uma flash-interview do caraças. Tenho a certeza que o nosso capitão William Carvalho ficou contente pelo jogo efectuado pelo seu companheiro de equipa.

O Sporting arrancou bem o campeonato, já no ano passado também tinha acontecido, segue-se agora um período muito forte entre Lisboa, Guimarães e Bucareste para perceber em que estado realmente esta equipa está. Para já as indicações são boas!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Compras e Vendas do Sporting 17/18 :: algumas notas


O Sporting comprou para época actual qualquer coisa ali perto dos 27 milhões de euros, vendeu ligeiramente acima dos 22 milhões de euros. Significa isso que a balança comercial tem um saldo negativo, embora esta palavra seja forte, de 5 milhões euros.

As lacunas foram, praticamente, preenchidas com um esforço financeiro bastante aceitável e, até, recomendável.

Reforço esta ideia porque é importante ter isto em mente quando falamos dos investimentos efectuados pela Direcção de Bruno de Carvalho. O que temos reparado ao longo destes últimos anos é uma tentativa (e execução) clara de re-organização financeira que começou, obviamente, pela reestruturação financeira, depois por um aumento substancial do orçamento atribuído ao futebol, seguido pela estabilização dos números.

Isso só foi conseguido porque o Sporting passou a estar mais forte nas negociações, principalmente a vender. Das cinco maiores vendas de sempre do Sporting, 3 foram efetuadas durante o período em que esta direcção está à frente do clube, ou das 7 maiores, 4 foram encabeçadas por Bruno de Carvalho.

Já agora fica um apontamento curioso, no top 10 das vendas de sempre do Sporting, o valor total é de aproximadamente 197 milhões de euros. Se considerarmos as vendas efetuadas pela actual direcção chegamos aos 104 milhões, significa que isto constitui qualquer coisa como 55% do valor total. É impressionante!

Claro que já sei que ao fim destes 5 parágrafos alguns já estão a fumegar e a apontar "e os custos, e os custos". Sim, os custos também aumentaram. Mas os relatórios e contas provam que estamos num caminho, para já, bem estabilizado e que nos permite continuar o rumo traçado na célebre Assembleia Geral com mais de 1.500 sócios em Junho de 2013 onde algumas das conclusões desse momento alguns, provavelmente, já se esqueceram:

- A SAD Leonina tinha apenas 34% dos passes dos seus jogadores profissionais;

- O Passivo consolidado do Sporting era à data de 419 milhões de euros;

- O Universo do Sporting era constituído por 721 pessoas, onde foi necessário começar uma reestruturação de pessoal;

- 9 milhões de euros gastos em comissões nos últimos 3 anos (anteriores a 2013), em jogadores, nalguns casos, muito duvidosos.

Por fim, podemos estar melhor ou pior nos números, embora, o caminho seja mais fácil de se efectuar com as contas equilibradas, mas o título, principalmente de futebol sénior masculino é aquilo que todos ambicionamos. 

Esta direcção sabe que este é o derradeiro objectivo e que tudo de bom que tenha sido feito para trás "desaparecerá" caso não seja conseguido aquilo que os sócios e adeptos do Sporting mais querem. Isto nem oferece discussão!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Grande entrevista de Bas Dost

foto: A Bola

"não foi obviamente uma boa temporada para nós...mas mesmo assim gosto muito de estar no Sporting...quando se tem uma temporada assim é fácil pensar 'OK quero ir para Inglaterra', mas comigo nem sequer se passou isso"

Esta é a primeira resposta de uma excelente entrevista de Bas Dost ao jornal A Bola, quando o jornalista lhe comentava a diferença entre a boa temporada individual e a colectiva no Sporting. É impossível ficar indiferente à forma como o avançado holandês tem encarado esta aventura no Sporting.

Por isso, aviso já que ainda vão a tempo de ler esta fantástico entrevista. Apenas vou deixar algumas notas do que foi dito.

O objetivo mínimo fixado por Bas Dost, enquanto jogador do Sporting, é 20 golos por época. Foi incrível o que aconteceu na época passada e está com expectativa para perceber como vai fazer melhor que os 34 golos da temporada passada.

Faz algumas avaliações a Jorge Jesus:

"A coisa boa foi que este treinador mostrou-me como trazer essa qualidade para o jogo e para a equipa [respondendo à evolução enquanto jogo colectivo]"

"Uma boa relação. Ele sabe como trabalhar connosco. Há momentos em que essa relação pode esfriar por algo com que não concordamos. Mas penso que estamos muito bem e era impossível marcar 34 golos na Liga se não tivesse esta relação com o treinador"

"é uma pessoa muito especial [risos]"

"Para mim o mais importante como jogador é que ele vê muitos jogos e sabe como me colocar em campo para tirar proveito das minhas qualidades"

Depois passa pela relação com Podence que medida em centímetros dista um do outro em 34.

"não o conhecia"

"Um dia, quando cheguei ao treino e vejo lá aquele baixote, perguntei a quem estava ao meu lado quem era aquela criança e o que estava a fazer ali. A sério!"

"Mas depois percebi logo que se trata de um grande jogador...e ainda vai ser muito melhor"

De Gelson faz comparativo com o companheiro de Selecção, "pode chegar ao nível de Robben"

Depois a entrevista fala sobre o que falta ao Sporting para ser campeão e Bas Dost fala do pontos perdidos com os "ditos pequenos" e fala da atitude muito positiva em relação à nova época.

Sobre os reforços é engraçada a reacção dele na defesa de antigos companheiros de equipa, "No ano passado penso que também tínhamos uma boa equipa e isso não pode servir de desculpa".

Sobre os adeptos do Sporting, "é muito fácil para mim dizer que estou feliz com os adeptos, eles até fizeram uma canção para mim".

Sobre Benfica e Porto, "são dois grandes clubes, mas é normal quando um jogador está no Sporting que não goste deles".

E transferir-se depois de uma grande época?

"Disse ao meu empresário que não queria sair, porque não acabei o meu trajecto aqui"

E sobre os célebres penalties?

"Tive muito treino nos penalties. No início marcava tudo em força, mas Jesus disse-me 'Não, Bas! Não, Bas! Olha para o guarda redes'. Ele queria-me mais relaxado. E por isso marquei muitos penalties"

Leiam a entrevista na íntegra, vale cada palavra!

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

D. Aves 0-2 Sporting :: o sol brilhou para Gelson


Excelente início de campeonato para o Sporting com uma vitória clara sobre o Desportivo das Aves, num estádio que mais parecia um mini Alvalade. Mesmo com o preço exorbitante dos bilhetes e já lá vamos.

A primeira jornada do campeonato, em Agosto, quando acontece cá para cima, coincide com as visitas dos inúmeros emigrantes que estão a passar férias em Portugal. Uma oportunidade excelente para verem um jogo da sua equipa ao vivo, uma clara ocasião para os clubes ditos mais pequenos "roubarem" os adeptos.

O Desportivo das Aves cumpriu com os 3 patamares de preços de bilhetes, 13, 25 e 37, os primeiros e mais baratos foram para as claques do Sporting (e poucos núcleos) e os restantes, a preço de Liga dos Campeões, para os que, praticamente, esgotaram o estádio. Claro que podemos sempre dizer que o mercado funcionou. Claro que a Liga deveria pôr mão nisto, não faz sentido.

Os Sportinguistas responderam em massa e foi fantástico ver o autocarro do clube passar pelo meio dos adeptos à chegada ao estádio. Somos um clube do caraças!



Depois, estes jogos são sempre momentos incríveis para encontro com adeptos do Sporting de todo o país. De norte a sul, Sporting e cerveja, garante conversa para os tempos que antecedem o início do encontro. Falar da pré-época, do que se espera do futebol do Sporting, uma coisa é certa, os Sportinguistas estão ao lado do seu clube. 

O Sporting 17/18 arrancou com 5 estreias na equipa titular: Piccini, Matthieu, Coentrão, Bruno Fernandes e Acuña. Mais tarde entrou Battaglia. 

A primeira coisa que podemos e devemos dizer é que o rendimento geral destas novas entradas foi muito satisfatório.

Piccini já foi o patinho feio ou vai ser? Eis uma grande questão. Foram rápidos, principalmente do nosso lado, a criticar o jovem jogador. "Um Schelotto 2.0", como já vi escrito, e eu, para não ficar de fora das críticas, a certa altura fiquei com a sensação que o melhoramento ia ser pouco. O certo é que nos últimos jogo, o lateral direito tem estado muito regular com exibições seguras sem comprometer. Ontem defendeu bem e foi fundamental para que a equipa do Sporting, na defesa, não tivesse grandes problemas.

Matthieu tem tudo para, ao lado de Coates, voltarmos a ter uma defesa com poucos golos sofridos. Rápido nas suas ações e decisões, mostrou que não está para inventar.

Coentrão se não tiver lesões tem tudo para correr bem. Esforçado, sentido de posicionamento, forte na acção defensiva e na transição para o ataque, denota nesta altura, apenas, problemas relacionados com a questão física. Estava visivelmente cansado na segunda parte.

É muito diferente quando uma equipa joga com laterais.

Bruno Fernandes entrou no 11 titular com Adrien. Não seria expectável e muito se discutiu isso nas roulotes enquanto se esperava pelo início de jogo. O lógico era que Bruno Fernandes entrasse e Adrien ficasse no banco. Jorge Jesus assim não o entendeu e colocou os dois campos, em estreia absoluta. Adrien não esteve bem. Mal no posicionamento em campo e decisões erradas, algo que não é natural no capitão. Talvez por isso, das estreias, Bruno Fernandes terá sido a que esteve mais apagada.

Acunã...não gosto muito de "embandeirar em arco", como se costuma dizer, mas aquele pé esquerdo e a sua capacidade de decisão nos momentos certos é fantástica. Uma assistência e não fossem os dois golos de Gelson e era o MVP do jogo.

Battaglia vai calar muita gente. É o que espero!

O Sporting controlou o jogo, não fazendo, obviamente, uma exibição fantástica. Mas cumpriu, sem nunca dar hipóteses ao Desportivo das Aves, sem nunca colocar em causa a vitória no jogo, sem aquele nervoso que tantas e tantas vezes na época passada levou a maus resultados.

O homem do jogo foi Gelson, não só pelos dois golos que marcou, mas muito pelo que joga, constrói, pelo amadurecimento que tem vindo a sofrer. Cada vez mais é a jóia da coroa, do ponto de vista financeiro imagino que Carlos Vieira veja ali um potencial encaixe importante nos cofres do Sporting, espero, sinceramente, que o clube consiga manter pelo menos por mais uma época. 

Uma palavra final para Dost que esteve longe da forma que estamos habituados. As bolas não lhe chegaram e quando isso aconteceu, estava enferrujado. Os adeptos mostraram que estão ao seu lado num desses momentos em que falhou um golo certo. Foi uma tarde má e passageira.

Vitória justa, tal como comecei o texto, começamos bem e na sexta há já nova jornada da Liga Portuguesa onde não podemos facilitar. O jogo contra o Vitória FC na sexta é para ganhar com casa cheia!